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31.3.13
29.12.12
o pedro vai voltar ao trabalho amanhã. ele não cozinha. não limpa. ele só escreve o que acha ser merda. são versos bonitos, para mim, onde não há começo nem fim. tudo faz sentido quando escreve. escreve amor e acaba em morte, tanto quanto começa em horror e termina em paixão. são versos que não terminam. mentem. mas não deixam de ser bonitos. os mais bonitos.
25.3.12
dei por mim dentro de um avião. não perguntei a ninguém onde estava, para onde ia e porque ali estava. à última com certeza ninguém me iria responder e era a mais importante. com as coisas importantes é sempre assim, só nós é que temos a resposta. deixei-me ir. pensei toda a viagem para onde estaria a ir. passaram-me arrepios pela pele dos braços e calores pela cara. destino quente?frio?
desci. país quente. desconhecido. calor. mais do que o normal para esta altura, dizia a velhota ao lado. Sérvia era o destino, o país ao qual tinha chegado e que só uma vida depois percebi que desde que lá mergulhei, nunca mais de lá consegui sair.
desci. país quente. desconhecido. calor. mais do que o normal para esta altura, dizia a velhota ao lado. Sérvia era o destino, o país ao qual tinha chegado e que só uma vida depois percebi que desde que lá mergulhei, nunca mais de lá consegui sair.
14.2.12
andava ela deambulante pelas ruas, abalada, frágil, decepcionada com tudo. não lhe pertencia mais a ele. sabia que a dor demorava imenso tempo a desaparecer. naquela altura nem lhe passava pela cabeça o que era a vida sem ele. é sempre assim. não lhe passava nada pela cabeça em que ele não estivesse presente. assim durante tempos interminavelmente grandes. ontem foi dia 8. ele fez anos e ela não se lembrou. para o mês que vem ela vai pensar que já passou um mês e ela, inexplicavelmente, esqueceu-se da sua data de aniversário. aí ela teve a certeza que amor não rimava mais com o nome dele. só aí.
7.1.12
tremeu a minha mão enquanto bebia o café quase a escaldar. pensei: "eles preservam-te nas suas mentes. fria, sombria até, objetiva, determinada, calculista". o que pensarão eles de mim? demasiado frágil, sempre frágil, desistente. não temem a minha fraqueza pois faz parte do seu consciente, assim como não temem a fraqueza de ninguém. acreditam piamente em nós. ou se não acreditam, não fazemos parte, não estamos na sua lista. enquanto eles vão diferenciando, eu preservo-os na mesma caixa. uma caixa de cartão, quase a pegar fogo. velha. mantendo os mesmos hábitos toda a vida. tal como seus donos. antiquados, mercantis, dissimulados.
18.11.11
28.8.11
quando disseste que gostavas de voltar eu só sorri. podia ter gritado que não me apetecia mais ver-te. era pouco. na verdade, eu poderia vociferar-te aos ouvidos que não te suportava há já algum tempo e que seria insuportável voltar a falar-te, quanto mais voltar a ouvir-te a menos de um metro. eu poderia ter-te dito para vires, que tinha imensas saudades tuas. eu poderia fazer qualquer coisa porque sabia de antemão que nunca voltarias. sempre soube que a previsibilidade te corria no sangue. sempre assim te conheci e há coisas que não mudam.
23.4.11
fiz tudo errado. deixei-me ir pelas derrotas, pelas palavras doces mas envenenadas. deixei-me ir pela inocência que transmitias e segurança que emanavas. deixei-me ir quase quase até ao fim. quando estava quase a fechar os olhos vieste tu e acordaste-me com o teu sorriso aberto "acorda que já dormiste o suficiente. acorda porque hoje vamos passear".
19.10.10
aquele era o amigo que tinha sido um pouco apagado da sua vida quando a vida lhes trocou o rumo mas que sabia estar sempre lá. afinal, ele era mesmo aquilo a que podia chamar amigo. talvez ele simbolizasse mesmo a amizade eterna. nunca tal pensamento lhe tinha ocorrido mas agora que pensava nele desta forma sabia que estava certa. percebeu que talvez nunca tivera pensado nele assim exactamente pelo medo de o perder. era feliz sentada ao lado dele a beber coca-cola e a partilhar o mesmo cigarro. era feliz naquela esplanada ao final da tarde na companhia dele. ele, mais uma vez, entendeu que o sentimento que o prendia a ela era mais que a fixação nos seus lábios e o mistério delimitado que pairava cada vez que suspirava. mas nunca seriam capazes de dizer um ao outro o que lhes ia no coração. nao seriam capazes de transformar os sentimentos em palavras. por mais que soubessem que era o que os mais fazia felizes.
6.10.10
não importa o passado
Era assim que ela vivia, todos os dias da sua vida. Nenhum dos ventos passados seria capaz de abanar alguma estrutura do presente. Passou por demasiado para dar agora importância ao passado. A única coisa que dele guarda é a experiência de vida que foi adquirindo.
Ao volante do seu carro não pensa em chegar ao seu destino, apenas está concentrada em sentir o vento na cara. Ela passa por um skate park, e distrai-se com a figura de um homem da sua idade que lhe faz lembrar a pessoa mais importante da sua vida. Ou melhor, aquele que fora, em tempos, o homem que mais amou. Ele vira a cara de lado e o seu coração dispara logo que reconhece os traços marcados que dominam desde a juventude. Não consegue desviar o olhar dele, marcou-a demasiado para conseguir abstrair-se dele. Como era possível que passados quase 6 anos ele continuasse tão igual em tantos sentidos. Agarrava a tábua exactamente como antigamente, apenas com uma mão enquanto via os outros skaters a praticarem e esperava pela sua vez para brilhar. Era incrível que mesmo passado tanto tempo ainda continuasse presente nele o mesmo espírito aventureiro e rebelde que o caracterizava. Enquanto isso, ela tornou-se uma mulher monótona. Considerava-se mesmo desinteressante. Tinha poucos amigos e a sua vida era um sistema casa-trabalho-casa. Arrepende-se tanto por se ter tornado naquela espécie de figura. Numa das primeiras vezes da sua vida depois de tanto esquecer, o passado invade a sua cabeça e o seu coração. Só pensa porque não é capaz de parar o carro e surpreende-lo com um “olá, está tudo bem?”. Não sabia como reagiria ele, mas decerto que ficava mais feliz por si própria se o fizesse. Na verdade já estava mais feliz só de o ver. Mas segue em frente, mais uma vez sente-se frustrada. Triste. Continua o caminho para casa e não olha mais para trás, por enquanto.
Ao volante do seu carro não pensa em chegar ao seu destino, apenas está concentrada em sentir o vento na cara. Ela passa por um skate park, e distrai-se com a figura de um homem da sua idade que lhe faz lembrar a pessoa mais importante da sua vida. Ou melhor, aquele que fora, em tempos, o homem que mais amou. Ele vira a cara de lado e o seu coração dispara logo que reconhece os traços marcados que dominam desde a juventude. Não consegue desviar o olhar dele, marcou-a demasiado para conseguir abstrair-se dele. Como era possível que passados quase 6 anos ele continuasse tão igual em tantos sentidos. Agarrava a tábua exactamente como antigamente, apenas com uma mão enquanto via os outros skaters a praticarem e esperava pela sua vez para brilhar. Era incrível que mesmo passado tanto tempo ainda continuasse presente nele o mesmo espírito aventureiro e rebelde que o caracterizava. Enquanto isso, ela tornou-se uma mulher monótona. Considerava-se mesmo desinteressante. Tinha poucos amigos e a sua vida era um sistema casa-trabalho-casa. Arrepende-se tanto por se ter tornado naquela espécie de figura. Numa das primeiras vezes da sua vida depois de tanto esquecer, o passado invade a sua cabeça e o seu coração. Só pensa porque não é capaz de parar o carro e surpreende-lo com um “olá, está tudo bem?”. Não sabia como reagiria ele, mas decerto que ficava mais feliz por si própria se o fizesse. Na verdade já estava mais feliz só de o ver. Mas segue em frente, mais uma vez sente-se frustrada. Triste. Continua o caminho para casa e não olha mais para trás, por enquanto.
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