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15.8.13

uma casa partilhada. o cheiro natural que negas ter. um transporte público onde me dás a mão e pedes desculpa por "qualquer coisa". um "vou ter saudades". bom trabalho. uma mensagem a dizer que estou quase a chegar a casa. "vem rápido". abraço. jantar que não dividimos. paladares distintos. beijo comum. filme. amor. muito.

29.12.11

há algumas coisas que são como lendas. nunca esperei que com o passar do tempo, o processo de esquecimento fosse tão...complicado. acho que complicado é a palavra certa. cada vez mais acho que quanto mais estamos presos a algo, mais insistimos em estar, ou seja, quanto mais pensamos nisso e fazemos coisas relacionadas com, mais merda dá. aprendi, com o tempo, que devo sempre fazer como se não tivesse acontecido. à primeira "vista" parece quase impossível, mas não é. aprendi, com o tempo, a deixar levar. quanto menos se pensa, mais clara fica a ideia do que se quer fazer. ao fim de uns tempos vamos perceber que, ou não dá simplesmente para esquecer e volta-se atrás, ou então transforma-se numa espécie de lenda. quando acontece esta última, deixamos de sentir aquilo que tanto nos inquietou durante tanto tempo. resta-nos uma lembrança e um sentimento de mais responsabilidade, de mais "para a próxima saberei o que fazer", de mais crescimento, maturidade e confiança.

5.12.10

apesar das adversidades e das saudades, continuas a combinar tão bem comigo. e eu sei porquê. pois sei.

21.11.10

o inverno custa sempre mais a passar. tenho sempre mais saudades de tudo. no verão quero-te comigo muito tempo. no verão vamos passear juntos, vamos à praia, vamos comer um gelado à noite. algodão doce, gostas? e à noite vamos para a minha cama e eu vou dar-te um beijo e dizer que ainda gosto mais de ti do que há uns meses atrás. que te parece? tenho saudades tuas que nunca mais acabam. volta rápido.

27.10.10

quando eu digo que já não sinto saudade, das duas uma. ou já ultrapassei, ou estou a mentir para mentalizar.

25.10.10

abracei-te com a esperança que o tempo parasse e que tu dissesses com as tuas palavras sábias que tudo tinha parado. que os carros pararam de circular. o espirro da velhota tinha ficado a meio gás e o depósito não tinha levado mais que duas gotas de gasolina. ainda tenho a esperança que digas que tudo parou. mas nós não.

só me sinto assim outra e outra vez quando estou contigo. quando sorris.

6.10.10

não importa o passado

Era assim que ela vivia, todos os dias da sua vida. Nenhum dos ventos passados seria capaz de abanar alguma estrutura do presente. Passou por demasiado para dar agora importância ao passado. A única coisa que dele guarda é a experiência de vida que foi adquirindo.
Ao volante do seu carro não pensa em chegar ao seu destino, apenas está concentrada em sentir o vento na cara. Ela passa por um skate park, e distrai-se com a figura de um homem da sua idade que lhe faz lembrar a pessoa mais importante da sua vida. Ou melhor, aquele que fora, em tempos, o homem que mais amou. Ele vira a cara de lado e o seu coração dispara logo que reconhece os traços marcados que dominam desde a juventude. Não consegue desviar o olhar dele, marcou-a demasiado para conseguir abstrair-se dele. Como era possível que passados quase 6 anos ele continuasse tão igual em tantos sentidos. Agarrava a tábua exactamente como antigamente, apenas com uma mão enquanto via os outros skaters a praticarem e esperava pela sua vez para brilhar. Era incrível que mesmo passado tanto tempo ainda continuasse presente nele o mesmo espírito aventureiro e rebelde que o caracterizava. Enquanto isso, ela tornou-se uma mulher monótona. Considerava-se mesmo desinteressante. Tinha poucos amigos e a sua vida era um sistema casa-trabalho-casa. Arrepende-se tanto por se ter tornado naquela espécie de figura. Numa das primeiras vezes da sua vida depois de tanto esquecer, o passado invade a sua cabeça e o seu coração. Só pensa porque não é capaz de parar o carro e surpreende-lo com um “olá, está tudo bem?”. Não sabia como reagiria ele, mas decerto que ficava mais feliz por si própria se o fizesse. Na verdade já estava mais feliz só de o ver. Mas segue em frente, mais uma vez sente-se frustrada. Triste. Continua o caminho para casa e não olha mais para trás, por enquanto.

29.8.10

tenho saudades de ter saudades.
sabes tão bem quanto eu que só quando temos saudades é que um de nos cede.
apetece-me ampliar-te e construir sobre ti sonhos intermináveis.
quero andar sobre a tua estrada sem buracos pelo caminho nem sinais de stop.